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Mangueira é campeã em um carnaval com jeito de anos 80 Mangueira é campeã

Mangueira é campeã em um carnaval com jeito de anos 80

A vitória da verde e rosa surgiu de um desfile plasticamente impecável

11/02/2016 as 16h00 (Atualizado em 22/10/2017 as 11h46). Valdir Vieira | Uol

Os anos 1980 são considerados pelos economistas como a década perdida do Brasil devido à constante crise econômica. Para o Carnaval, porém, foi um período mágico, com grandes sambas-enredos, cantados até hoje, e desfiles memoráveis, como "Ratos e Urubus" (Beija-Flor - 1989), "Kizomba" (Vila Isabel - 1988) e "Bumbum Paticumbum Prugurundum" (Império Serrano – 1982). Com o país atravessando um momento turbulento na economia, as escolas de samba cariocas acabaram ganhando uma roupagem vintage. Abusando de materiais alternativos, criatividade e contando com bons sambas de trilha sonora, o desfile de 2016 foi o melhor dos últimos anos. E teve como campeã a Mangueira, que, não por acaso, viveu grandes momentos na década de 80, quando ganhou três campeonatos.

A vitória da verde e rosa surgiu de um desfile plasticamente impecável e embalado por um samba-enredo valente, de bela melodia e refrãos fortes, como o mangueirense gosta. E também, de uma grande dose de audácia motivada não só pelo momento da economia, mas, sobretudo, pelas consideráveis dificuldades financeiras que a escola atravessa, como resultado de más gestões anteriores. Vinda de um decepcionante décimo lugar, a Mangueira resolveu apostar em revelações talentosas. Comandando seu barracão, Leandro Vieira assinou o segundo carnaval de sua vida - o primeiro no Grupo Especial. Na comissão de frente, lutando contra vários medalhões, estava o jovem coreógrafo Júnior Scapin, com trabalhos consistentes no Grupo de Acesso. Cantando, Ciganerey, que, apesar dos mais de 30 anos de carreira, nunca tinha tido a responsabilidade de conduzir sozinho o canto de uma escola do grupo principal.

Sem capacidade de investimento, a agremiação realizou um criterioso controle de gastos e procurou se antecipar na compra de materiais e contratação de mão-de-obra. E, embalada por um enredo de apelo popular, fez um desfile empolgante e surpreendente. Muitos imaginavam que a força do samba e do enredo poderiam conduzir a Mangueira ao Desfile das Campeãs. Poucos seriam capazes, antes do desfile, de cravar a verde e rosa como a vencedora. Em seguida, o que parecia ilusão, tornou-se uma realidade cada vez mais palpável à medida em as notas 10 iam surgindo.

Mas não foi uma vitória fácil. Em uma apuração equilibradíssima, poderia ter dado Portela, Unidos da Tijuca ou Salgueiro. As quatro escolas ficaram grudadas na pontuação durante quase toda a apuração. Até o último quesito, alegorias e adereços, a vermelho e branco da Tijuca saboreava a vitória, mesmo que empatada com a Mangueira. Foi quando veio a (justa) punição por ter desfilado com o seu abre-alas apagado por toda a pista. Foram quatro notas 9,9, que bateram fundo no coração salgueirense e jogaram o sonho do campeonato por terra. A Portela, penalizada em comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira, teve que adiar o sonho da quebra do tabu de 32 anos. Ficou em terceiro. E a Tijuca, que também teve descontos no casal e no enredo, conseguiu um festejado segundo lugar. É uma escola que sabe defender os quesitos e sempre briga pelo título. Beija-Flor e Imperatriz fecham o grupo de escolas que desfilarão no Sábado das Campeãs.

Na parte de baixo da tabela, a Estácio de Sá sofreu com o fato de abrir o desfile e foi rebaixada para a Série A. Em seu lugar, virá a Paraíso do Tuiuti, campeã da Série A.  A União da Ilha ficou em penúltimo e sofreu na lanterna até a metade da apuração, quando finalmente conseguiu superar a concorrente nos chamados quesitos de chão (evolução e harmonia). A Mocidade Independente de Padre Miguel poderia ter entrado nessa briga, mas o júri amenizou as várias falhas de seu desfile e a colocou em décimo lugar. Em um carnaval de recuperação, a Vila Isabel ficou em oitavo, mas poderia ter ficado à frente da Grande Rio (sétima), que foi bem avaliada em alguns quesitos em que não merecia a nota máxima, como samba-enredo. Antiga bola da vez para o rebaixamento, a São Clemente ficou confortável em nono lugar. 

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