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Governo lança programa para fomentar plantio de Pinus em Ibitirama Governo lançou o Programa de Expansão do Plantio de Pinus para produção de goma-resina PRÓ-RESINA.

Governo lança programa para fomentar plantio de Pinus em Ibitirama

Aos produtores rurais serão oferecidas linhas de crédito pelo Bandes.

08/06/2016 as 17h19 (Atualizado em 14/08/2018 as 12h29). Valdir Vieira | Secretaria de Agricultura do ES

Como forma de fomentar a silvicultura, promover o reflorestamento e criar uma atividade de renda alternativa aos produtores rurais, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), lançou nesta sexta-feira (03), o Programa de Expansão do Plantio de Pinus para produção de goma-resina no Espírito Santo, o PRÓ-RESINA. Com ele, a ideia é implantar, preferencialmente em consórcio com outras culturas, 8 mil novos hectares de Pinus nas regiões Sul e Serrana capixabas, onde foram reconhecidos a maior parte dos municípios considerados aptos ao plantio. Para ingressar na atividade, sementes com alto rendimento na produção de resina e madeira, além de linhas de crédito especiais ao setor serão oferecidas aos produtores.

O lançamento do Programa aconteceu no município de Ibitirama, na presença do governador do Estado Paulo Hartung e do secretário estadual de Agricultura, Octaciano Neto. Participaram também do evento, o diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Marcelo Suzart, o diretor presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), José Maria de Abreu Junior. As instituições coordenam o PRÓ-RESINA em parceria com o Grupo Resinas Brasil, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com a Federação de Agricultura do Estado do Espírito Santo (Faes).

O Governador Paulo Hartung ressaltou quero o Programa terá um impacto socioeconômico com a produção de resina, madeira e geração de emprego. Hartung defendeu a diversificação e inovação na produção agrícola do Estado. "Estamos em uma região que é uma das mais bonitas do país, com um enorme potencial na agricultura e turismo. Precisamos trabalhar o desenvolvimento sustentável da região do Caparaó. Esse programa é importante para impulsionar o desenvolvimento da região com uma ferramenta de economia verde, moderna e criativa", enfatizou o governador.

Para o secretario de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, o Pró-Resina tem grande chance de mudar para melhor a vida de agricultores e familiares da Região do Caparaó, uma vez que o plantio pode ser integrado a outros plantios. Octaciano também ressaltou a mudança da visão do Estado, da década de 50 para os tempos atuais, para a construção de políticas públicas voltadas ao agricultor. “Tempos atrás a política pública incentivava o desmatamento para a criação de fazenda no Estado para fomentar a agricultura. Hoje nós incentivamos o reflorestamento em conjunto com as produções já existentes, e um sistema mais eficiente que ajuda o produtor a garantir um futuro melhor para ele, para a produção dele e até mesmo para o planeta. O Pró-Resina é isso tudo em conjunto com a oportunidade de gerar uma renda extra a partir da extração da resina e da venda da madeira do Pinus”, completou.

Pinus

Atualmente no Espírito Santo, a área plantada de Pinus é de cerca de 2700 hectares, localizada principalmente nos municípios de Conceição do Castelo, Brejetuba, Castelo, Domingos Martins e em Muniz Freire. Além deles, apresentam solo e clima favoráveis ao cultivo os municípios de Santa Maria de Jetibá, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Ibitirama, Irupi, Divino São Lourenço, Dores de Rio Preto, Guaçuí, Ibatiba, Iúna, Alegre e Iconha. O reconhecimento das áreas aconteceu por meio de um estudo de zoneamento que leva em consideração os territórios com altitude de 500 metros a 1300 metros, onde as temperaturas são amenas e a deficiência hídrica pequena.

O coordenador de programas da Gerência de Agroecologia e Produção Vegetal da Seag, Pedro Carvalho, explica que o PRÓ-RESINA se preocupa em fomentar a silvicultura no Estado, a partir a produção de goma-resina e madeira retirada do Pinus, ao mesmo em que se preocupa com os benefícios ambientais que o plantio pode trazer a áreas degradadas. "A ideia é incentivar que esse plantio seja preferencialmente consorciado a outras culturas, como o café, sistemas agroflorestais, em integração de lavoura, pecuária e floresta. Além de proteger o solo, por ser uma atividade perene, o plantio também ajuda a sequestrar carbono, recuperar solos empobrecidos, contribui com as nascentes d´água, e gera sustentabilidade econômica ao homem na propriedade rural, principalmente àqueles que vivem da agricultura familiar", disse Carvalho.

A espécie de Pinus oferecida pelo PRÓ-RESINA é a P. elliottii var. elliottii, que é adaptada às condições edafoclimáticas da Região Serrana do Estado e possui maior produtividade em resina. O gerente florestal do Grupo Resinas Brasil, Denilson Ferreira, explica que a segunda característica é fruto de um processo de melhoramento genético desenvolvido há vários anos pela empresa. "Nós avaliamos e marcamos as melhores árvores no campo para cruzá-las e desenvolver novas plantas de melhor qualidade, a fim de produzi-las em escala comercial. Esse processo nos levou a muitos resultados, entre eles o aumento de volume na madeira das árvores e o aumento da produção de goma-resina. Hoje nós temos árvores, que tiram por ano cerca de três a quatro quilos de goma resina, um número acima do padrão de uma árvore que não é geneticamente melhorada", contou Ferreira. As sementes melhoradas serão distribuídas a viveiros locais pelo programa.

A goma-resina gera como produtos primários, o breu, a terebintina, e a goma de mascar. O breu é utilizado para a produção de colas para a fabricação de papel, vernizes, tintas, adesivos, borrachas sintéticas, entre outros. Já a terebintina é utilizada para a fabricação de cânfora, pomadas farmacêuticas, desodorantes, desinfetantes, inseticidas, germinicidas, tintas, corantes e vedantes. A extração da goma-resina começa após o 8º ano da planta, e o corte da madeira após 21 anos.

Mercado

O diretor-presidente do Grupo Resinas Brasil, José Jorge Ferreira, conta que apesar da crise econômica que o país atravessa, o mercado da resina têm se mantido e se beneficiado em função da alta do dólar. Ferreira espera que, com a implantação do Pró-Resina, 500 a 1000 famílias passem a participar da atividade, e que o Estado, daqui a alguns anos, seja responsável por 20% da produção brasileira de resina, cerca de 1000 toneladas do produto. "Essa é a nossa expectativa para daqui a alguns anos, será uma produção para a exportação. Então isso vai agregar valor para a balança comercial capixaba e para o Brasil. Hoje o Brasil está numa posição muito boa porque o dólar está alto, estamos competitivos e não há dificuldades de escoamento dessa produção. Além disso, o grupo Resinas Brasil, que tem longa data nesse mercado, com um histórico original familiar de quase cem anos, está aqui para apoiar e digamos garantir essa compra futura da resina, dando sustentabilidade a esse mercado e a esse programa que está sendo desenvolvido", ressaltou o diretor-presidente.

Reflorestar

As ações do PRÓ-RESINA ajudam a cumprir a metas do Programa Reflorestar, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, de reflorestar 80 mil hectares até 2018. Criado a partir de experiências acumuladas nos últimos 10 anos, o Reflorestar tem como objetivo promover a restauração do ciclo hidrológico por meio da conservação e recuperação da cobertura florestal, com geração de oportunidades e renda para o produtor rural, incentivando a adoção de práticas de uso sustentável dos solos. O mecanismo de estímulo é o de pagamento por serviços ambientais.

"Até 2015, foram atendidos mais de 1.800 produtores rurais em 73 dos 78 municípios capixabas. Isso representa um investimento de R$ 28 milhões, permitindo iniciar a restauração de pelo menos 6.000 hectares de florestas e reconhecer outros 6.000 hectares de florestas conservadas", explicou o coordenador do Programa Reflorestar, Marcos Sossai.

Atualmente, existem 4.117 produtores cadastrados no Reflorestar. A meta para 2016 é atender mais 1.600 produtores rurais, o que deverá permitir iniciar a recuperação de cerca de 4.600 hectares e investimentos da ordem de R$ 25 milhões.

O Reflorestar cria estímulos para a adoção de novos sistemas produtivos de base florestal e de alternativas econômicas sustentáveis. Além da preservação da floresta existente e da recuperação da mata nativa, também são incentivadas práticas como os sistemas agroflorestais, onde é possível conciliar culturas como cacau, palmito, café, seringueira, banana, entre outras, com espécies da Mata Atlântica.

Outra possibilidade são os sistemas silvipastoris, que consistem em plantar algumas espécies florestais no pasto. Com isso a produtividade é melhorada e o processo de infiltração da água no solo facilitado.

Os produtores rurais recebem recursos financeiros para aquisição de mudas e outros insumos necessários para promover a implantação da nova formação florestal na propriedade. Desta forma, ao aumentar a capacidade de infiltração de água no solo, as novas florestas ampliam a oferta d’água e regularizam a vazão de nascentes.

São modalidades do Programa Reflorestar: Floresta em Pé, Sistema Silvipastoril, Sistema Agroflorestais, Recuperação com Plantio e Floresta Manejada.

Silvicultura

A cobertura florestal do Espírito Santo é formada pelo remanescente da Mata Atlântica, totalizando cerca de 603 mil hectares ou pouco mais de 10% do território estadual, bem como pelos plantios de eucalipto, pinus, seringueira e palmáceas que, juntos, somam mais de 250 mil hectares.

A atividade da silvicultura diz respeito ao reflorestamento com finalidade comercial. A madeira assim produzida é destinada a diversas finalidades, desde a lenha até a produção de celulose e papel. Normalmente, utilizam-se espécies exóticas como os eucaliptos, já que são menos atacados por inimigos naturais e crescem mais rapidamente. Atualmente, no Brasil, existe enorme déficit entre a madeira produzida pela silvicultura e a demanda oriunda do mercado consumidor interno, estimulando vultosos investimentos no setor.

A produção de madeira procedente de florestas econômicas é hoje amplamente empregada nas propriedades capixabas para fornecimento de energia, construções rurais, cercas, postes e tutoramento de plantas. O conjunto de tais ações contribui para diminuir a pressão sobre as florestas nativas, em função da necessidade de madeira existente nas propriedades rurais, além de constituir- se em excelente oportunidade para aumentar a renda nas propriedades por meio do aproveitamento de áreas ociosas ou com limitações para culturas agrícolas mais exigentes.

Atividade tradicionalmente restrita às áreas degradadas pela agropecuária tradicional, a silvicultura tem conquistado novos contornos, consolidando-se como uma atividade sustentável, com base social e ambiental. As florestas plantadas no Estado, que ocupavam menos de 190 mil hectares em 2000, ultrapassaram 250 mil hectares atualmente e podem chegar a 400 mil hectares em 2030, através de planejamento PEDEAG 3 e ações de fomento.

 

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