terça-feira, 16 de Janeiro de 2018 | 07:01:13 | Tempo e temperatura: Iúna/ES pn Parcialmente Nublado, 21º/31º
Cidades
  • publicidade 024 Farmácia Santa Maria 330x370
Pesquisa avalia sintomas e fatores depressivos na região do Caparaó Catarine Conti, neurocientista da UFES, Campus de Alegre

Pesquisa avalia sintomas e fatores depressivos na região do Caparaó

Análise verificou que a ideação suicida estava presente em cerca de 7% das pessoas entrevistadas

28/07/2017 as 18h07 (Atualizado em 16/01/2018 as 06h34). Valdir Vieira | Redação

Alegre (ES) - Projeto da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) Campus de Alegre, está investigando os fatores e avaliando a presença de sintomas depressivos na região do Caparaó capixaba.

O jornal Cidade Agora conversou com a neurocientista e coordenadora de projetos da Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo), Catarine Conti, e com Adriana Madeira Alves da Silva, mestre em Genética e doutora em Ciências na área de Oncogenética. Elas explicaram como tem sido feito essa pesquisa e os fatores de risco que se submetem homens e mulheres a um quadro de depressão, que às vezes leva até ao acometimento de suicídio.

De acordo com Catarine Conti, o estudo investiga a presença de sintomas depressivos na população dos 11 municípios da região do Caparaó capixaba (Iúna, Irupi, Ibatiba, Ibitirama, Alegre, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Muniz Freire, Jerônimo Monteiro, São José do Calçado e Dores do Rio Preto).

Aplicação de questionário

Numa primeira etapa, realizada entre as comunidades rurais do Caparaó, foi aplicado um questionário que é uma ferramenta de pesquisa que avalia a presença de vários sintomas depressivos como tristeza, falta de perspectiva, ideação suicida, fatigabilidade e insônia. Este questionário possui um score, onde valores pequenos indicam apenas alterações de humor considerados normais no dia a dia e valores mais altos são indicativos de sintomas depressivos, apesar de não indicar diretamente um diagnóstico clínico de depressão.

Segundo a neurocientista, considerando apenas pessoas do sexo masculino entre os trabalhadores da zona rural do Caparaó, foi observado que os sintomas depressivos estavam presentes em 27.7% dos indivíduos e que os fatores determinantes que interagem entre si para originar estes sintomas nestes indivíduos foram: a exposição ao agrotóxico, o uso de tabaco, uma saúde auto relatada ruim e a presença de doença crônica. Ou seja, essas quatro condições são

fatores de risco para sintomas depressivos entre os trabalhadores. Vale destacar a exposição ao agrotóxico que foi o principal fator de risco, onde os resultados mostram que ela pode aumentar em 5.5 vezes o risco de um trabalhador rural desenvolver os sintomas depressivos.

Mulheres

Ao incluir as mulheres no estudo, foi observado que o risco do aparecimento dos sintomas depressivos é três vezes maior nas mulheres do que nos homens; e observado que as mulheres relataram que são mais tristes, têm menos prazer na vida, choram mais, se preocupam mais com a aparência a ponto de acharem que estão sem atrativos e relataram maior perda do desejo sexual, sendo este último o item de maior diferença entre os gêneros. Neste caso, uma série de questões foram discutidas, que vão desde as questõeshormonais, já bastante conhecidas, até a falta de perspectiva de ocupação no mercado e a cultura familiar. Estes dados reforçam a necessidade de políticas voltadas à saúde do trabalhador rural, ao uso adequado de agrotóxicos e à saúde da mulher.

O instrumento de pesquisa utilizado neste estudo permitiu investigar especificamente desejos e pensamentos suicidas entre os moradores da zona rural do Caparaó. Essa análise verificou que a ideação suicida estava presente em cerca de 7% das pessoas entrevistadas e os fatores de risco que contribuem para este comportamento são: idade (envelhecimento), ser mulher, ser analfabeto, a ausência de atividade recreacional e estar exposto ao agrotóxico, sendo este último um resultado especialmente relevante pelo fato do próprio agrotóxico ser uma das substâncias mais usadas no mundo nas tentativas de suicídio.

As doutoras Catarine Conti e Adriana afirmam que, este projeto traz um diagnóstico inédito para a região em se tratando de sintomas depressivos e o estilo de vida.  

“Nossa perspectiva é colaborar com a criação de estratégias e políticas que visem melhorar a qualidade de vida no Caparaó Capixaba”, afirma Catarine Conti.

Veja a entrevista

 

  • publicidade 021
Desenvolvido em Software Livre por Logomarca da Imppactmidia