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Pesquisa UFES: casos elevados de câncer podem ser devido Síndrome Erika Freitas, bióloga e Adriana Madeira, pesquisadora da UFES, campus de Alegre

Pesquisa UFES: casos elevados de câncer podem ser devido Síndrome

Municípios da região do Caparaó capixaba apresentam alto índice de casos hereditários de câncer

27/07/2017 as 11h07 (Atualizado em 15/01/2018 as 15h39). Valdir Vieira | Redação

Alegre (ES) - Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, (UFES), Campus de Alegre, desenvolvem o PPSUS (Projeto Para o SUS), que tem o apoio da Fapes (Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo), envolve o hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim e todas as Secretarias municipais de Saúde, através das prefeituras da região.

A equipe liderada pela doutora Adriana Madeira Alves da Silva, mestre em Genética e doutora em Ciências na área de Oncogenética pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), trabalha no intuito de detectar e identificar os casos de câncer na região do Caparaó.

De acordo com Adriana Madeira, pesquisadora da UFES, Campus de Alegre, a pesquisa realizada para o SUS começou em 2013, no município de Alegre e rapidamente se estendeu para os demais municípios do Caparaó capixaba. “Durante a pesquisa foi detectada a Síndrome de Li-Fraumeni, que é muita rara em outras regiões do país, mas não é o acontece na região do Caparaó capixaba, além de outras síndromes, isto dentro do ponto de vista clínico, faltando fazer os exames moleculares”, destaca a doutora.

Segundo Adriana, 130 famílias estão sendo monitoras pela equipe de pesquisadores nos 11 municípios do Caparaó, além de Cachoeiro de Itapemirim.

Ainda de acordo com Adriana Madeira, o alto número de casos de câncer hereditário da na região, chama a atenção (no Brasil, apenas um em cada, dez ou quinze casos é câncer hereditário), o que leva os pesquisadores, diante do trabalho realizado, a acreditar na existência da Síndrome de Li-Fraumeni. Fato que poderá ser comprovado ou não no mês de setembro, quando ocorrer às análises moleculares, que serão realizadas em Curitiba no Estado do Paraná, pelo Oncogeneticista, José Claudio Casali, que é um dos poucos especialistas no país. (há informação da existência de apenas 08 no Brasil).

Como a síndrome chegou à região

Doutora Adriana Madeira, frisa que a síndrome pode ter chegado à região, através de tropeiros vindos do Paraná, onde já foi detectada, e o isolamento, pouca locomoção dos habitantes com estradas muito ruins no passado, pode ter feito à síndrome se multiplicar, passando para várias famílias. “Acredita-se que uma pessoa com a síndrome, se casava com um membro de outra família, e assim foram se formando várias famílias com a Síndrome de Li-Fraumeni”, frisa a doutora.

De acordo com a pesquisadora, as autoridades da região receberam bem a pesquisa e têm demostrado total apoio.

“Estamos sendo bem recebidos, temos feito treinamentos com os agentes de Saúde em todas as cidades”, destaca.

Doutora Adriana, lembra que “o trabalho está sendo feito de forma a não alarmar a população, identificando e orientando, pois o fato da pessoa ter a síndrome identificada no ponto de vista molecular, não que dizer que ela venha ter a doença, pois ela pode, com essa informação, diminuir outros fatores de risco”.

Veja entrevista

 

Para Erika Freitas, bióloga e doutorando em Biotecnologia, autora do projeto de dourado que culminou com a pesquisa, o desenvolvimento da pesquisa “é uma gratificação muito grande, e poder ajudar as pessoas é melhor ainda”, ela agradece o empenho de todos, inclusive o grande apoio da Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo).

“É um trabalho minucioso e uma realização pessoal também. Já tive alguns casos de câncer na família, vivi essa experiência e é muito gratificante poder trabalhar e ajudar as pessoas que passam por essa situação”, destaca Erika, que afirma ser imprescindível o apoio e o financiamento dos projetos.

“Sou bolsista de doutorado da Fapes e agradeço muito por isso, sem esse apoio ficaria muito difícil à realização, seria conhecer o problema e não ter como agir e realizar”, frisou.

Veja entrevista

 

Saiba mais

O que é Síndrome de Li-Fraumeni?

De acordo com o site genômica, do hospital Albert Einstein, a síndrome de Li-Fraumeni (LFS) é uma síndrome rara autossômica dominante caracterizada por múltiplos casos de tumores primários de início precoce, que incluem sarcomas ósseos e de tecidos moles, câncer de tórax, câncer cerebral, leucemia e tumores adrenocorticais infantis. As mutações germinativas no gene supressor do tumor p53 são responsáveis pela maioria dos casos de LFS (80%). O gene p53 codifica o fator de transcrição que tem papel crítico no controle do ciclo celular e apoptose na resposta ao estresse genotóxico. A perda das funções de p53 parece suprimir um mecanismo protetor contra o acúmulo de alterações genéticas.

O seqüenciamento completo do gene TP53 (exons 2-11) identifica 95 % das mutações no TP53 que em sua grande maioria são mutações missense, podendo também ocorrer mutações nonsense, frameshift ou inserções de sequências repetitivas.

A Síndrome de Li-Fraumeni causa uma predisposição anômala a diversos tipos câncer. Esta síndrome é também conhecida como a Síndrome de sarcoma, câncer de mama, leucemia e glândula adrenal.

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